A gestão da qualidade do ar interior (QAI) em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) é um dos pilares da operação hospitalar e exige atuação integrada entre Facilities, Engenharia, Manutenção e Comissão/Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH/SCIH).
Mais do que atender às exigências normativas, análise da qualidade do ar em hospitais é monitorar parâmetros ambientais, planejar amostragens e interpretar corretamente os laudos técnicos permite antecipar desvios e direcionar ações de manutenção. Nesse contexto, o Gestor de Facilities ocupa uma posição estratégica ao conectar informações técnicas, condições operacionais do sistema HVAC e necessidades do ambiente assistencial.
Neste artigo, apresentamos os principais parâmetros relacionados à qualidade do ar interior exigido nas unidades hospitalares, as referências normativas aplicáveis, os critérios para planejamento das avaliações e, principalmente, como transformar os resultados em ações preventivas voltadas à segurança, ao bem-estar e à continuidade da operação hospitalar.
Por que a qualidade do ar exige controle específico em hospitais?

A qualidade do ar em hospitais assume papel relevante para o conforto, o bem-estar e a saúde dos ocupantes.
Pacientes vulneráveis, procedimentos invasivos, circulação contínua de pessoas e diferentes níveis de criticidade assistencial fazem com que o controle ambiental seja parte importante da infraestrutura de apoio à assistência.
Por isso, filtragem, renovação, movimentação e diferencial de pressão devem ser consideradas desde o projeto até a operação e manutenção dos sistemas HVAC.
Risco assistencial, infecções e pacientes vulneráveis
Falhas na filtragem, pressurização, renovação ou manutenção favorecem a disseminação de partículas e microrganismos, aumentando o risco de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).
Em setores destinados a pacientes mais vulneráveis, como unidades de transplante e oncologia, o controle torna-se ainda mais relevante. Por isso, o correto dimensionamento do sistema de climatização, aliado à manutenção e ao monitoramento durante toda a sua vida útil, é fundamental.
É justamente nessa continuidade entre projeto, operação e manutenção que Facilities assume papel estratégico: garantir que o desempenho esperado para o sistema seja preservado nas condições reais de funcionamento da instituição.
Cada ambiente hospitalar possui requisitos específicos
Um hospital não pode ser tratado como um único ambiente climatizado.
Centros cirúrgicos, quartos de isolamento, áreas de internação, laboratórios, CME e setores administrativos possuem características e riscos distintos. Consequentemente, os requisitos de filtragem, renovação, temperatura, umidade e relações de pressão também podem variar.
A ABNT NBR 7256 estabelece requisitos para o tratamento de ar em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde de acordo com as características e a criticidade dos ambientes.
Para o Gestor de Facilities, compreender essas diferenças é essencial para definir prioridades de manutenção, monitoramento e investimento.
O que é análise da qualidade do ar em ambiente hospitalar?
A análise de QAI em hospitais é um processo planejado de amostragem, medição e interpretação de indicadores físicos, químicos e microbiológicos. Em ambientes hospitalares, a avaliação também deve considerar as condições operacionais do sistema HVAC, especialmente em áreas com requisitos específicos de filtragem, renovação e pressurização.
Quais normas e referências orientam a análise?
A gestão da qualidade do ar hospitalar envolve diferentes referências técnicas e regulatórias. Entre as principais estão:
- Lei nº 13.589/2018: estabelece a obrigatoriedade do PMOC para os sistemas de climatização abrangidos pela legislação.
- Portaria GM/MS nº 3.523/1998: estabelece medidas relacionadas à manutenção, operação, limpeza e controle dos sistemas de climatização.
- ABNT NBR 17037: referência para avaliação da qualidade do ar interior em ambientes não residenciais climatizados artificialmente.
- ABNT NBR 7256: estabelece requisitos específicos para tratamento de ar em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde.
- ABNT NBR 16401 — série: apresenta requisitos relacionados a sistemas de ar-condicionado centrais e unitários.
- RDC ANVISA nº 50/2002: estabelece requisitos para projetos físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde.
- ABNT NBR 13971: trata da manutenção programada de sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento.
- ABNT NBR ISO/IEC 17025: estabelece requisitos de competência para laboratórios de ensaio e calibração.
Mais do que conhecer cada referência isoladamente, o Gestor de Facilities deve compreender sua aplicação à operação e aos diferentes ambientes da instituição.
Quais parâmetros devem ser avaliados?
Com o marco normativo definido, a análise da qualidade do ar em hospitais precisa cobrir três grupos de parâmetros: físico, químico e microbiológico, cuja combinação final depende da criticidade do setor e do objetivo da investigação, seja ela rotineira ou motivada por um surto.
Parâmetros físicos
Temperatura, umidade e velocidade do ar fornecem informações importantes sobre as condições ambientais e o comportamento do sistema de climatização. Em hospitais, os requisitos devem ser avaliados conforme a classificação e a finalidade de cada ambiente, especialmente nas áreas críticas.
Renovação do ar e pressão diferencial
renovação contribui para a diluição e remoção de contaminantes, enquanto a pressão diferencial influencia a direção do fluxo de ar entre ambientes adjacentes. Áreas destinadas ao isolamento podem requerer pressão negativa, enquanto determinados ambientes protegidos podem operar com pressão positiva, conforme sua classificação e os requisitos aplicáveis. Para Facilities, o desafio não é apenas verificar se esses parâmetros estavam previstos em projeto, mas garantir que sejam mantidos durante a operação real da instalação.
Parâmetros químicos
A avaliação pode incluir CO₂, material particulado e contaminantes químicos específicos.
O CO₂ pode auxiliar na avaliação das condições de ventilação e ocupação. Material particulado e compostos específicos, como COVs e formaldeído, podem ser relevantes conforme as atividades realizadas e os riscos existentes no ambiente.
Parâmetros microbiológicos: fungos, bactérias e identificação de agentes
A análise microbiológica permite avaliar a presença e a concentração de microrganismos cultiváveis no ar, conforme o método utilizado. Resultados alterados devem desencadear uma investigação que considere as condições do HVAC, filtragem, umidade, limpeza, manutenção e demais fontes potenciais. Em hospitais, essa investigação deve ocorrer de forma integrada entre Facilities e CCIH/SCIH, respeitando as competências técnicas e assistenciais de cada área.
Filtragem e condição dos filtros HEPA
A avaliação não pode se limitar à periodicidade da troca dos filtros HEPA. Condições de instalação, vedação, integridade e perda de carga também devem ser acompanhadas para assegurar o desempenho esperado do sistema de filtragem.
Como definir um plano de amostragem representativo?
Um resultado confiável começa com um plano de amostragem representativo. A escolha dos pontos de coleta deve considerar criticidade, ocupação, fontes potenciais de contaminação e características do sistema HVAC. As medições devem representar, sempre que possível, as condições normais de funcionamento da instalação. Além disso, a utilização de equipamentos calibrados, métodos reconhecidos pela NBR 17037 e o correto transporte das amostras garantem a confiabilidade dos resultados.
Qual deve ser a periodicidade da análise da qualidade do ar em hospitais?

A frequência das avaliações deve considerar tanto as exigências normativas quanto os requisitos aplicáveis, criticidade dos ambientes, histórico dos resultados, análise de risco e características da instalação. Como referência, a NBR 17037 e a prática de mercado recomendam avaliações semestrais, integradas ao cronograma do PMOC para acompanhar o desempenho dos sistemas de climatização ao longo do tempo.
Em situações como obras, substituição de componentes do HVAC, troca de filtros absolutos, suspeitas de contaminação, surtos de infecção ou resultados fora do padrão, as análises devem ser antecipadas. O acompanhamento periódico também permite identificar tendências, avaliar a eficácia das ações corretivas e agir preventivamente antes que falhas comprometam a qualidade do ambiente.
Como interpretar o laudo de qualidade do ar?
O laudo de qualidade do ar deve ser utilizado como uma ferramenta de diagnóstico e gestão, e não apenas como um documento de conformidade. Resultados fora dos critérios estabelecidos devem gerar investigação das possíveis causas, considerando dados operacionais, condições do HVAC e histórico de manutenção.
Cabe ao Gestor de Facilities transformar os resultados em ações, direcionando inspeções, responsáveis e prazos para correção dos desvios. Quando aplicável, uma nova avaliação deve verificar a eficácia das intervenções realizadas.
Como integrar a análise ao PMOC e à manutenção preventiva?
A avaliação da qualidade do ar deve estar integrada ao PMOC e às estratégias de manutenção preventiva e preditiva. Os resultados podem indicar necessidades de inspeção ou substituição de filtros, higienização de componentes, correção de fontes de umidade, ajustes de vazão, balanceamento, renovação ou pressurização.
Ao conectar laudos, PMOC, ordens de serviço, históricos de manutenção e indicadores operacionais, Facilities cria rastreabilidade e transforma dados técnicos em informação para tomada de decisão.
Quem deve participar da gestão da qualidade do ar hospitalar?
A gestão da qualidade do ar hospitalar envolve a atuação integrada de Facilities, Engenharia de Manutenção, Engenharia Clínica, CCIH/SCIH, Segurança do Trabalho, equipes assistenciais e gestão da instituição.
Nesse cenário, o Gestor de Facilities atua como um dos principais elos entre infraestrutura e operação assistencial, coordenando recursos técnicos, acompanhando o desempenho dos sistemas e direcionando ações para que as condições ambientais previstas sejam mantidas ao longo do tempo.
Checklist para planejar a análise da qualidade do ar em hospitais
- Escopo: Definir áreas e criticidade (NBR 7256).
- Parâmetros: Selecionar físicos, químicos e biológicos conforme o setor.
- Pontos: Mapear locais de permanência e comparação externa.
- Laboratório: Validar acreditação ISO 17025 e métodos da NBR 17037.
- Coleta: Garantir condições operacionais típicas.
- Laudo: Exigir parecer técnico conclusivo e ART.
- Ação: Elaborar plano de correção para desvios e reavaliar.
Da análise à gestão: Facilities como estratégia para a maturidade operacional

O resultado da análise da qualidade do ar em hospitais não deve ser tratada de forma isolada isolada, mas como parte de um processo contínuo de gestão. É quando dados técnicos se transformam em decisões de manutenção, prevenção e melhoria contínua que o monitoramento passa a contribuir efetivamente para a maturidade operacional da gestão de Facilities.
Alcançar esse nível de maturidade exige integrar pessoas, processos, tecnologia, infraestrutura, indicadores e gestão de ativos para antecipar riscos, aumentar a confiabilidade dos sistemas e trazer mais previsibilidade à operação. É nesse contexto que a Guima Conseco atua, apoiando hospitais, clínicas, laboratórios e outras instituições de saúde na gestão integrada de suas operações de Facilities.
Mais do que corrigir falhas, uma gestão madura busca preparar a infraestrutura para sustentar o negócio de forma segura e eficiente. Com a Guima Conseco cuidando da complexidade da operação, as instituições podem direcionar seus esforços para aquilo que fazem de melhor, enquanto sua infraestrutura trabalha para tornar isso possível.
Perguntas frequentes
Como é feita a análise da qualidade do ar em hospitais?
A análise envolve a coleta de amostras em campo usando amostradores de impacto para microrganismos e sensores calibrados para gases e partículas. As amostras biológicas são incubadas e analisadas em laboratório para quantificação e identificação, seguindo os métodos da NBR 17037.
Quanto custa uma análise de qualidade do ar?
O custo varia conforme o número de pontos e a complexidade dos parâmetros (áreas críticas custam mais). Contudo, o investimento é preventivo: o custo de uma análise é mínimo perto das multas sanitárias ou dos custos de uma única infecção hospitalar.
Quais são os indicadores de qualidade do ar?
Os principais são Dióxido de Carbono (CO₂), Material Particulado (PM2,5 e PM10), Temperatura, Umidade Relativa, Velocidade do Ar e a contagem de Fungos e Bactérias Mesófilas.
O que são análises do ar?
São procedimentos técnicos de medição e avaliação laboratorial destinados a identificar e quantificar contaminantes que possam comprometer a saúde humana ou a integridade de processos em ambientes fechados.
Quais empresas fazem análise da qualidade do ar em hospitais?
Laboratórios acreditados e empresas de gestão de facilities que integram este serviço especializado em seus planos de manutenção e conformidade legal.
Como fazer análise da qualidade do ar em hospitais?
Deve-se contratar um serviço especializado que elabore um plano de amostragem conforme a NBR 17037, realize as coletas em condições operacionais e emita um laudo técnico com responsabilidade profissional.
O que diz a NBR 17037?
Ela estabelece os padrões referenciais de qualidade do ar interior em ambientes climatizados, definindo limites para CO₂, partículas e microrganismos, além de exigir um programa de gestão de QAI semestral.
O que a Resolução 176 da ANVISA estabelece?
A RE 176 era um guia de orientação para a aplicação da RE 09. Com a revogação desta última, a referência técnica atualizada passou a ser a ABNT NBR 17037:2023.
Qual NR fala sobre ambiente hospitalar?
A NR 32 é a norma regulamentadora específica para segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, abordando a proteção contra riscos biológicos e químicos, complementada pelas normas de climatização.
Qual é a norma ABNT NBR 7256 para climatização hospitalar?
É a norma que define os requisitos técnicos de tratamento de ar específicos para hospitais, focando em filtragem, pressurização e renovação para controle de infecções.
Conte com uma engenharia de manutenção preparada para apoiar a confiabilidade e o desempenho da infraestrutura hospitalar.